quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vazia

Ontem tive um dia a dar pró esquisito. Andei de um lado para o outro e quando chegou ao fim do dia tinha a sensação de que não tinha feito nada, estava exausta e "murcha". O S. notou assim que chegou a casa, mas inicialmente deve ter pensado que era chateada porque ele se atrasou à grande.
Depois do jantar pronto e do baby I. tratado decidi que me apetecia um duche...a ver se o ânimo melhorava. Dei comigo a pensar que devia estar preocupada e amedrontada...mas não estava. Que esta coisa da crise nos deixa os cabelos em pé...verdade. Que pensamos que não nos vai tocar a nós...verdade. Que não vou baixar os braços...completamente verdade.
A notícia de que vou ficar desempregada daqui a 2 meses caiu-me mal...pois tá claro que caiu, mas depois do choque inicial, principalmente pela foma como fiquei a saber (sim, porque ainda estou à espera a carta de cessação de contrato), senti-me tranquila. Como se diz "há males que vêm por bem" e "quando se fecha uma porta abre-se uma janela". Que eu estava meia desanimada e desmotivada pelo não reconhecimento do meu trabalho (e não falo de palmadinhas nas costas a dizer muito bom, muito bom, mas que não andassem atrás de mim como se todos os males que lá viessem fossem pelo facto de não haver publicações). Curiosamente depois de ter tido esta bombástica notícia, não é que saiu uma publicação que eu tinha preparado...eu não acredito em bruxas...mas que las hay...las hay.

A isto dá-se a volta...irrita, sente-se na pele a injustiça, mas dá-se a volta. O que custa é mais uma "porrada" que não estávamos à espera. Como família temos ultrapassado tantas dificuldades e com mais ou menos arrelias entre nós, sempre superámos o que se colocava à nossa frente.
Hoje, aos 30 anos e meio sou feliz...fui muito desejada pelos meus pais, sempre fui muito amada e sempre tive a certeza disso - sinto-o todos os dias apesar de nunca ter sido dito explicitamente (digamos que as "lamechices nunca foram o nosso forte e eu apenas me iniciei nessas andanças depois de ter começado a namorar com o S.). Casei com o S. e temos a "nossa" família, linda, muito mais do que sonhei. Temos o I., a luz dos nossos olhos e que nos enche o coração de felicidade...e aos avós...meu Deus...que loucura.
Mas hoje (ou melhor, ontem, porque já é 1h da madrugada) sinto necessidade de lhe dizer, a ele, ao meu pai, o quanto o amo e pedir-lhe que lute e nunca desista...por mim, pelo I., pela minha mãe e até pelo S. que o tem como um pai.  Preciso de ouvir de novo e vezes e vezes sem conta, todas aquelas histórias de quando fugia da catequese para ir correr, das trafulhices pelo bairro e das conquistas...para no fim terminar a dizer que de todas a que mais amou foi a minha mãe e por isso a escolheu para casar. Preciso que seja ele a ensinar o baby I. a jogar andebol e lhe conte a glória que ele foi, que leve o neto ao clube onde foi consagrado campeão e lhe mostre as fotos expostas. Preciso dele. Preciso tanto dele. Preciso do meu pai, daquele que sempre me protegeu e ao mesmo tempo me deu asas, do que sempre me chamou à razão por ser impulsiva e ao mesmo tempo me deu força para seguir os meus instintos. Temos algumas dificuldades para verbalizar o amor que sentimos uns pelos outros mas eu preciso de lhe dizer...é o melhor pai que eu podia ter e ele precisa saber. Amo-o o meu pai e tenho de lho dizer, para que ele lute. E juntos, em família, vamos vencer.
Preciso repetir mais vezes, muitas vezes, à minha mãe, que não está sozinha, que ela não é o único pilar. Cresci e sou uma mulher, é a minha vez de retribuir tudo o que me deram, tudo o que fizeram por mim. Amo a minha família, a nós e a eles, adoro-nos e juntos vamos vencer!

5 comentários:

Candybabe disse...

Caramba...
Realmente o despedimento não ajuda, mas acredito que vás encontrar algo rápido... Tens a tua família para te ajudar e para ajudares, juntos conseguirão ultrapassar as dificuldades.
Kisses

Lili disse...

Oh amiga. Que notícias... Eu também a recebi pouco depois do Tiago nascer. Sei o que estás a sentir em relação a isso. É revoltante e desperta dos piores sentimentos em nós... a mim o meu chefe nem sequer teve a coragem de ligar a dizer o porquê do despedimento (até porque não havia motivo para além de eu ter estado de baixa desde os 3 meses de gravidez, mas lá está, não é um motivo, pois foi-me algo completamente alheio e que se pudesse ter escolhido concerteza que trabalharia até ao fim da gravidez) e até hoje não recebi nada da empresa onde dei tanto além da carta de despedimento e da indminização que me foi devida. Não desanimes, pois apesar da crise há-de aparecer algo bom e se possivel melhor ainda, torço por isso.
Quanto ao resto estou a torcer também para que tudo fique bem. Não sei o que dizer, pois nunca passei por algo semelhante, mas acredita que há-de acontecer o melhor. Sê forte. Apesar de ser provavelmente muito dificil é o que podes fazer por quem amas.

Um beijo muito grande e um abraço muitíssimo apertado.

R* disse...

Olá Candybabe ;)...é como digo...em relação ao trabalho, sei que devia estar preocupada mas não estou. Recuso-me é a fazer o papel da coitadinha que ficou desempregada com um filho pequenino e ai que pouca sorte...a isto dá-se a volta e parada ñão fico :D.
Uma bjoca grande

R* disse...

Lili...quando soube desta notícia lembrei-me logo de ti. Soube pouco tempo depois do nascimento do I e bem sabes a revolta que se sente. Eu sou funcionária publica por isso sei que o "motivo" é a crise e as medidas de austeridade. Neste caso não sou despedida mas há a cessação de contracto uma vez que atingi as 3 renovações permitidas por lei. Daqui ou passava para um contrato a tempo indeterminado ou...desemprego. E pelos vistos o meu trabalho não era relevante o suficiente para lá ficar. No meio de tudo estou mais desiludida porque as minhas chefias directas ainda não tiveram a coragem de me dizer nada...e afinal de contas ainda vou trabalhar um mês. É triste mas...a isto dá-se a volta e há coisas de longe mais importantes.
Ontem foi um dia horrível, em que se colocaram todos os cenários. Hoje, apesar de nenhum desses cenários ter sido descartado, já se colocam as coisas em perspectiva e estamos todos armados pra ir à luta. Apesar de poucos (apenas os meus pais, eu e o S....vá o I. e a minha avó) somos mesmo muito unidos e acredito que juntos e com a fé que temos tudo vai correr bem!
Obrigada por estares sempre presente!
Bjoca grande

Filipa Serrão Oliveira disse...

Epah fiquei abananada a ler o teu post. Que grande chatice e que enorme injustiça. Calha sempre às mais "fracas" não é, mães com filhos recém-nascidos. Juro que essas histórias começam a dar-me volta à barriga porque estou farta de as ouvir por aí... Ando cansada disto e apavorada com o futuro porque nós mesmos estamos com a empresa parada há 3 meses e sem perspectivas de nada... olha uma treta mas há-de surgir qualquer coisa ao longe. Para nós assusta-nos muito porque dependemos os dois de uma empresa que até dezembro ia de vento em popa...